Simpósio hoje – último dia do Hip3rorgânicos

Hoje, último dia do evento Hip3rorgânicos, está acontecendo o Simpósio Internacional de Pesquisa em Hibridações e Arte Telemática. Quem quiser assistir online, basta acessar o link http://webconf2.rnp.br/nano/ e entrar na sala como convidado.

Na sala do GP Poética temos um ponto físico para quem quiser assistir e participar/trocar idéias sobre as atividades, com projeção e áudio aberto. Todxs são bem-vindxs!

Ivani Santana, professora da UFBA e coordenadora do GP Poéticas Tecnológicas, participa da Mesa 2 – Topologias do Afeto; Conexões, Hibridações e Poética, que começa as 13:00.

A programação completa das mesas está aqui:

organic_abs 0.1 – abstrações orgânicas para controle de áudio e vídeo no puredata

Durante o Hip3rorgânicos está sendo compartilhado um pacote de abstrações modulares para controle de áudio e vídeo no puredata, desenvolvido por brunorohde (brunorohde.wordpress.com) no contexto do GP Poéticas Tecnológicas (GP Poética – IHAC/UFBA).

Desde o primeiro dia do evento, essas ferramentas audiovisuais estão sendo apresentadas e utilizadas no node Salvador do Hip3orgânicos. O pacote requer o Pd-Extended 0.42.5 (ou posterior), e está disponível para download (licença GPLv3) no link: github.com/brunorohde/organic_abs

A utilização básica das ferramentas principais (organic_audio e organic_video) está descrita nos próprios patchs; o uso das demais ferramentas está sendo apresentado durante o evento, e em breve será documentado no site do autor.

Ecoarte no Hiperorgânicos 3

Nesta quinta-feira, dia 18 de outubro, nós do Ecoarte, participaremos do Hiperorgânicos 3 – Simpósio Internacional de Pesquisa em Hibridações e Telemática, evento organizado pelo NANO – Núcleo de Artes e Novos Organismos que envolve transmissão de dados e rede de conexões de diversos artistas e centros pelo mundo, somos parte da programação do nodo Salvador.

Nossa intervenção é um questionamento momentâneo do meio ambiente, um tornar conhecido o nosso entorno através de sensores. Em lugares públicos da cidade, vamos coletar dados de temperatura, luminosidade, umidade relativa e concentração gasosa do ar. Pra tal, criamos um dispositivo com quatro sensores conectados ao Arduino que mandará esses dados para o Processing, e apresentará uma breve visualização no local. Ao mesmo tempo, este dados serão transmitidos via OSC para o servidor do OpenLab Hiperorgânicos no Rio de Janeiros, e na sede do evento será criada uma performance áudio e visual com estas informações.

Para nossa ação em Salvador, escolhemos o horário do final da tarde num local público, onde colocaremos o dispositivo próximo ao fluxo do trânsito para captarmos as mudanças de entardecer/cair da noite, num horário que provavelmente ocorre uma mudança na temperatura e umidade, também, é  quando a concentração de carros é maior e, conseqüentemente, há um aumento de gases poluentes.

Convidamos a todos a participarem de nossa ação de coleta destes dados.

Local de encontro: na frente do café Troppo, Ondina (Rua Dr. Osvaldo Ribeiro, 198)

Dia: quinta-feira – 18/10/12

Horário: 17h-18.30h

Grupo Ecoarte:

Toni Oliveira
Karla Brunet
Camila Marques
Midiã Fiúza
Fernanda Oliveira
Breno Peixinho
Adailton Nunes

Robotofagia HyperOrganismos – interações assíncronas e reflexão sobre Hiperorgânicos (ensaio)

Coloco aqui o inicio de uma reflexão sobre interações assíncronas com dados contextuais na estetização e convergência
de poéticas computacionais e sua relação com a matriz de arte-ciência “Hiperorgânicos”.

Faço a primeira provocação com um experimento “site-specific” ainda embrionário: Geradores de partituras de notação tradicional (e seus desdobramentos possíveis) a partir do espectro sonoro de um vídeo onde o grupo do NanoLab experimenta o reconhecimento de padrão facial de seu robô “HA”. As partituras são propostas como um possível retorno dos dados “para o corpo humano” do músico, resultante de gestos e simetrias mediadas por máquinas que geram tais dados matemáticos “crus”.

A pergunta é – como um gesto técnico pode ser lido fora de seu problema especializado? Como superar o paradoxo de “complexidade” versus uma necessidade da ação ou lastro dela epifanizar e comunicar seus significado para não-especialistas?

No vídeo utilizado como matriz, o grupo demonstra uma pequena virtude de seu robô – a capacidade de seguir rostos humanos:

Teste de Interação

O som deste vídeo foi usado aqui no experimento como motor gerador para uma estrutura modal e de ritmo quantizado numa redução para duas mãos ao piano:

Interação com o Teste

O objetivo é chegar num modelo algoritmo de estilo gestual musical passando por um filtro modal dos dados geradores. Em breve as músicas são tocadas por instrumentistas e “humanizam-se”. A busca é a de não se fazer mais crer que o procedimento composicional foi gerado artificialmente e sim é resultado de decisões de músicos humanos. Quem veio primeiro: a programador ou o programa? A causa ou o efeito?

Fora do contexto da arte computacional o gesto migrará sua tecnicidade para a tecnicidade instrumental do músico, a ser julgada por espectadores isolados de seus procedimentos técnicos originais e ali como objeto estético produz esta inserção
de um vírus gestual em rituais poéticos onde a técnica já está “naturalizada” por contextos culturais onde a tecnologia está menos problematizada a priori.

“A cultura é desequilibrada porque ela reconhece certos objetos, como o objeto estético, e lhes atribui cidadania no mundo das significações, e ao mesmo tempo rechaça outros objetos, em particular os objetos técnicos, no mundo sem estrutura daquilo que não possui significações, mas apenas um uso, uma função útil.” (Simondon 2008:10)

O mesmo procedimento será utilizado durante a interação assíncrona e processual com evento Hiperogânicos III proposto pelo grupo Nano, questionando a profundidade possível de influência de pesquisas técnicas em áreas artísticas interdisciplinares de arte e ciência, num ponto onde o gesto especializado deve retornar a superfície em algum significado mais amplo.

Questionamos com isso qual a diferença de algoritmo e de alguma simples e pura instrução em sintaxes não-computacionais, verbais, ou influência de questões conceituais de um trabalho em outro, criando novos contextos e superando o lugar já previsto no entendimento médio de sua problemática.

Pierre Boulez, um dos pioneiros da música determinista composicional dos anos 50, que no início opunha-se a procedimentos aleatórios e buscava no automatismo a real possibilidade de controle de parâmetros em sistemas estéticos, no final dos anos 80 faz uma analise interessante dos limites desta racionalização:

“O desenvolvimento “serial” dos anos cinquenta se baseava essencialmente na escritura criando o fenômeno; o rigor do aparelho técnico devia assegurar implicitamente a validade estética.
Experimenta-se de fato uma fascinação nesta tentativa de despersonificar a linguagem, de permitir desenrolar num contexto determinista um certo número de funções e delimitar o papel do compositor a um registrar de resultados, um verificador de funcionamento: a escritura não é mais intermediária na ação, mas o seu motor(…)
Forçam-se as categorias mais distintas a se corresponderem, os processos passam de um componente ao outro sem mudar portanto a sua natureza, manifestando uma irresistível propensão a unificação.
Em face a profunda ingenuidade desta tentativa, o mundo da percepção resiste,
ele não se deixa reduzir a combinação sistemática de um certo numero de planos.” (Boulez 1989:301)

Quem veio primeiro: A escritura com instrução do gesto ou o gesto condicionado pela instrução escrita? Ao fazermos o caminho oposto, devolvendo todo código ao gesto acidental e descondicionado dos pequenos acidentes indomáveis do instrumentista ou qualquer corpo em catarse que resignifica aquilo que a máquina enunciava, libertamos o corpo das suas amarras na cultura escrita?

Desautomatizar o automatismo previsto pelo algoritmo é o devir do novo algoritmo? Cada novo passo racional já era uma instrução ainda sem input em silício? Interagir com o ainda não-implementado. Redes Assíncronas dão o pulso de qualquer tentativa futura de sincronia.

Quem é mais inconsciente do algoritmo: o “não-programador” ou a própria máquina? O enunciável torna-se um risco imediato de computabilidade.

“Mitomania ” é um termo usado para definir a ficção patológica: o mentiroso que de tão
acostumado a aumentar ou modificar sua versão da história passa até mesmo a acreditar na própria mentira, fingir pra si mesmo uma subjetividade calcada em falsas memórias.

“Mitomanias Autômatas” – a insolúvel questão da subjetividade das máquinas – a singularidade tão anunciada pelos arautos da “igreja da robótica” – poderia ser encarada como a mentira do poeta fingidor e sua arquitetura de ambiguidades sempre tangentes a uma suposta estrutura semântica sempre aberta? Tautologias e Contradições como pano de fundo para novos axiomas sobre a subjetividade enunciando-se por fora dos corpos humanos.

Mas quem estaria sendo mais sincero neste Teste de Turing: a máquina ou o programador?

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Primeira sessão Hip3rorgânicos Salvador/BA

 

Primeiro registro das atividades do Hip3orgânicos em Salvador. Sessão audiovisual realizada 16/10/12 pela manhã, com Cristiano, Felipe, Bruno e Rayden, utilizando sax, teclado, Puredata, Arduino.

Durante a tarde de hoje seguem as atividades na sala do GPPoética (UFBA, PAF IV, sala 201), com apresentação de ferramentas pra arte digital, experimentos abertos, vídeo, som, troca de idéias e o que mais rolar.